PARA VIVER COM POESIA

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar: um estribilho antigo, o carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que um dia teve o próprio vento...

(Mário Quintana - Para Viver Com Poesia)


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Março 07, 2012

INTERLÚDIO DAS ESTAÇÕES...




Saíram de mão dadas, no fim de tarde de verão. O domingo morria e já tecia-se os primeiros fios de noite. Caminharam, assim, longa e lentamente, falando do mundo, observando coisas, apontando paisagens. Encantaram-se com as árvores despidas e secas. Viram pessoas alheias, crianças brincando em seus primeiros passos. Ouviram carros, pássaros, vozes. Pintaram sem tintas ou pincéis a obra da VIDA. Permaneceram em silêncio, em cumplicidade absoluta - um ao lado do outro - sentados no banco d'alguma praça. Dialogaram telepaticamente. Filosofaram diante da cidade pálida em tons de absinto.


Em nenhum momento cruzaram olhares...


Estavam ocupados em tocar labirintos que se faziam dentro deles.


Eram perfeitos! Eram uníssonos!


Eram o AMOR que muitos procuram...


E ninguém os percebeu, ali, diante daquela amplidão contemplativa, nem souberam dos seus íntimos sonhos e divagações...


Passaram despercebidos. Inexistentes.


Mas eles sentiram o mundo fluir, para que vivessem instantes particulares, sem sussurros ou respirações...


Depois levantaram-se e puseram-se numa estrada de regressão.


Retornaram ao ponto de partida e fizeram juras de que, quando chegar a próxima PRIMAVERA, verão as mesmas árvores, floridas.

Fevereiro 28, 2012

LEVE PULSAR DE DENTRO...




Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado, 

e invisível a olhares alheios: 
só um pólen a meio, como de abelha 
à espera de voar. E não é com certeza 
relevante este brilhante aqui: 

poeira de diamante que encontrei 
pelo verso e por acaso, poema 
muito breve e muito raso, 
que (aproveitando) trago para ti. 

Ana Luísa Amaral

Fevereiro 21, 2012

PRESENÇAS E SAUDADES...






PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana


SOLIDARIEDADE:
Deixo abaixo a conta de um amigo do dihitt, o 'Fantasma' que passa por um momento delicado da sua vida. Sua história já é conhecida por nós que fazemos parte dessa grande comunidade de blogueiros. Ficou doente, desempregado e teve seu benefício suspenso do INSS e tem contas atrasadas. O caso é grave, tanto é que a direção do diHITT permitiu que se fizesse essa campanha na rede. E eu a trago para o blog.
Se quiser saber mais, acesse:
http://nemtudoquesevee.dihitt.com.br/noticia/preciso-de-ajuda-1 - este o apelo dele no blog do diHITT, com documentação, exames e providências já tomadas.
Espero que você que acompanha meus posts junte-se a nós neste momento.
Isrrael Gomes Silva
Caixa Econômica Federal - Agência: 154
Conta-poupança:152883-1